A Importância da Respiração Completa

A Importância da Respiração Completa

A primeira inspiração acontece quando saímos do ventre da mãe, e  quando deixamos a vida terrena a última coisa que fazemos é expirar, assim creio que podemos compreender um pouco melhor a importância da respiração para esse corpo físico que é por natureza integrado ao corpo espiritual e emocional. Podemos deixar de comer e beber por uns dias, mas sem respirar somente por minutos, portanto considero que o oxigénio é o alimento mais importante para nós filhos da terra.

Se observarmos a respiração de um bebê veremos que a barriguinha dele se move e depois o tórax, conforme vamos crescendo acabamos por ir perdendo essa habilidade natural do corpo de realizar a respiração completa, e por exatamente pela respiração ser uma ação inata do corpo, não percebemos se fazemos uma boa respiração, aproveitando o potencial máximo desse sistema para criarmos saúde e satisfação no ato de viver o aqui e agora.

Para além do Sistema Tegumentar (pele, cabelo, unhas e pelos), o Sistema Respiratório é responsável pela boa absorção deste combustível essencial para a vida humana. A entrada e saída de ar no nosso corpo acontece pela mudança de pressão interna que é criada nos pulmões por estarem cheios (menos pressão do que a atmosférica) ou vazios (mais pressão que a atmosférica), e a responsabilidade pelo mecanismo da respiração que impulsiona o movimento de inalação e expulsão de ar é 75% do diafragma, grande feixe muscular em forma dupla cúpula, que ocupa todo o interior do tronco separando os pulmões e coração numa cavidade superior, da cavidade inferior com os sistemas digestivo, reprodutivo, urinário, com auxilio dos músculos intercostais internos e externos, e da elasticidade dos pulmões.

Na respiração completa o Diafragma se movimenta para baixo e expande a cavidade superior, empurrando os órgãos da cavidade inferior também para baixo, fazendo também a expanção dessa cavidade para fora, movendo saudavelmente os órgãos.

Para compreendermos melhor e criarmos consciência da respiração temos de aprender a nos auto-observar, e vamos começar agora de maneira simples:

  • Sem modificar absolutamente nada busco perceber a minha sensação de entrada e saída de ar;
  • Como isso acontece no meu corpo? uso as narinas? Uso a boca? Para inspirar ou expirar?
  • Sinto o ar entrando fresco e saindo quente?
  • Até aonde tenho essa sensação dentro de mim dessa entrada e saída do ar? Só nas narinas? Só na boca? Até a garganta?
  • Será que inspiro e expiro a mesma quantidade de ar? Ou inspiro mais que expiro? Ou expiro mais que inspiro?
  • Qual a parte do meu corpo que se expande quando o ar entra? Ou quais as partes que expandem?
  • Essa expanção acontece só para frente do corpo? Peito e ou barriga? Laterais do corpo? Costas? Ou é tridimensional? Do corpo como um todo, de dentro para fora? do tórax e ou abdómen frente laterais e costas?
  • Por eu estar sentado lendo eu preciso de muito ou de pouco oxigénio? Então a respiração que estou fazendo nesse momento é profunda ou superficial? Ou normal?
  • Só o fato de eu estar fazendo essas observações tive algum suspiro? Uma inspiração ou expiração mais funda?
  • A minha respiração já se alterou ou não?

Passamos agora para uma auto-observação mais ativa, já focando e alterando a respiração:

  • Como ainda faremos isso sentados, vamos buscar uma forma confortável de sentar, a forma correta é em cima dos ísqueos, os ossinhos da bunda, mas para quem ainda não conhece, sentar confortável com as mãos abertas e apoiada nas pernas, buscando soltar ombros , axilas, cotovelos, pulsos;
  • Mantendo uma boa postura no tronco, sem forçar, de forma descontraída;
  • Pernas levemente afastadas e os pés apoiados no chão, também de maneira descontraída;
  • Mantendo a cabeça em cima do pescoço, isso quer dizer sem estar com ela projetada para frente principalmente por estar lendo, buscando uma sensação de leveza, direcionando a nuca um pouco mais para o céu e o queixo mais para a terra;
  • Libertar bem a língua soltando o queixo, deixando a boca entre-aberta, fazer três inspirações pelo nariz e as expirações pela boca, sendo a 1ª pequena a 2ª média e a 3ª grande, fechar os olhos e fazer com suavidade e calma, sem pressa, são só três vezes mas com qualidade;
  • Após a sequência de 3 voltar a respirar normalmente, percebendo se criou tensão ;
  • Agora colocando uma mão no abdómen, entre o umbigo e a púbis, e a outra bem em cima no peito, acima dos seios, usando essa sensação do toque das mãos, pois estou ajudando o corpo a sugar e expulsar o ar para dentro e para fora, començando por imaginar que está enchendo de ar lá em baixo no abdômem, subindo como uma onda até em cima na outra mão, esvaziando da mesma maneira de baixo para cima;
  • Fazer as 3 respirações iguais as primeiras, inspirando pelo nariz e expirando pela boca, 1ª pequena 2º média e 3ª grande, com suavidade e calma, de olhos fechados buscando a sensação interna da entrada e saída de ar, o caminho que ele percorre, a expanção que acontece no corpo, todas aquelas perguntas que já fizemos anteriormente;
  • Soltar as mãos e fazer mais uma sequência de 3, focando a mente só no ato respiratório e as suas consequências corporais;
  • Novamente volto a minha respiração e vou somente observar se algo mudou na minha sensação, na minha ação física ou emocional;
  • Esse exercício simples de 3 sequências de 3 respirações completas, deve ser repetido todas as noites na cama da mesma forma, com simplicidade e curiosidade observatória, sendo a 1ª com os braços no colchão ao longo do corpo, a 2ª com a mãos posicionadas uma no abdómen e outra no peito, a 3ª novamente com os braços no colchão, palmas da mão para cima.
  • Nessa primeira fase da re-descoberta da respiração correta e completa, que é a abdominal mais a toráxica, criando essa boa onda de ar dentro do corpo que vem de baixo para cima e vai da mesma forma, devo ter em conta que cada vez que inspiro estou enchendo meu corpo de energia vital, força motora, portanto criando saúde e satisfação, e quando expiro coloco para fora aquilo que já não tem utilidade para mim,  aquilo que não preciso e nem quero dentro do meu corpo, buscando colocar para dentro a mesma quantidade de ar que sai e vice-versa, tornando um ato meditativo nesse sentido, aí passaremos para uma 2ª fase.

É importante continuar mantendo esse exercício com a atenção para que ele não se torne um dado adquirido, que a auto-observação ativa vá ficando cada vez mais afinada com a minha sensação interna, para conseguir realizar cada ação respiratória mais focado e entregue, sentindo a melhora gradativa da qualidade respiratória em cada uma das fases e sensações que falamos.

Caso houver algum tipo de dúvida, curiosidades ou partilha que queira fazer, fique á vontade, será um enorme prazer essa troca de informação e sabedoria.

Silvia Patzsch
Arte Educadora e Terapeuta em Consciência Corporal

11/03/2014 Lisboa

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